quarta-feira, 26 de outubro de 2016

"Ser capitão" como estilo de vida:

“Capitão” era mais que o apelido que Carlos Alberto Torres carregou até sua morte - na manhã desta terça (25), ele estava em sua casa ao lado do amigo Ricardo Rocha quando sentiu-se mal e sofreu um infarto fulminante. Simbolicamente, o maior lateral direito de todos os tempos nunca deixou de usar a faixa que eternizou ao levantar a taça Jules Rimet em 1970. Mesmo depois de deixar os gramados, ele sempre brigou pelo que acreditava, ainda que nem todos acreditassem na mesma coisa que ele.

Boquirroto, impulsivo e enérgico, Carlos Alberto Torres não entrava em discussões pela metade.
Alguns temas, mais que outros, lhe eram caros. Para ele, por exemplo, era impossível ficar alheio à seleção brasileira. Como podiam, afinal, fazer aquilo com o time que ele defendeu tão bem? Carlos Alberto Torres era especialmente duro com Neymar, em quem não via um capitão à altura. Nada pessoal. Pelé, seu grande companheiro no futebol e na vida, também foi alvo quando se absteve de participar de um evento para ajudar campeões do mundo em necessidade.

O pleito por pensões aos jogadores mais necessitados foi uma bandeira para a vida. À custa de amigos e muitas críticas, ele sempre defendeu uma ajuda àqueles que deram títulos ao Brasil. O futuro do futebol nacional também mexia com o ex-lateral. Carlos Alberto Torres foi embaixador de eventos no país, sempre se colocou à disposição para debates e mais de uma vez tentou colocar as mãos na massa, como quando aceitou ser ouvidor do Brasileiro sem nem saber quanto ganharia por isso.

Não que ele precisasse. Desde que estourou no futebol, Carlos Alberto Torres foi um privilegiado, com projeção internacional e respeitado até o último minuto de vida. Eternizado no esporte mais popular do planeta, era ouvido em diferentes cantos do mundo e sempre esteve próximo do dinheiro que circula no meio. Só que contentar-se com isso nunca foi uma opção. Quando sentiu que era hora, foi para a arena como comentarista, técnico e até político. Não acertou todas as vezes, mas nunca se furtou de tentar. O “Capita” viveu e morreu no front de batalha.




Uol Esporte

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